sábado, 18 de junho de 2011

Primeiro Lugar: Last Kiss - Manoela Bueno


Querida Suze,

A razão pela qual estou escrevendo esta carta não é apenas por que eu me lembrei de você quando acordei pela manhã ou por que olhei para uma foto nossa, mas sim por que não consigo te tirar da minha cabeça. Penso em você durante todo o dia, vejo os seus olhos e ouço sua risada.
E isso me faz pensar se, talvez, mesmo que pareça loucura, sejamos pré-destinados. Não do tipo que aparecem em livros, em que as pessoas se vêem com uma vida já determinada e simplesmente desistem de viver para seguir o caminho que elas acreditam que são forçadas a fazer, mas do tipo real, onde nossas almas estão se procurando há muito tempo, mas, por algum acaso, sempre se separam.
Não posso prometer que será dessa vez que elas se encontraram, porém posso afirmar que elas irão se lembrar, e, quem sabe, num futuro, onde elas fiquem juntas definitivamente, elas se lembrarão desta carta e rirão.
Queria poder afirmar que esta é a primeira de muitas cartas, mas o futuro para mim agora é parcialmente incerto, e não sei se tenho condições de lhe escrever novamente. A única certeza que tenho no momento é a de que não estarei com você, não mais, e que esta tristeza irá me perseguir por muito tempo até que eu me acostume com a saudade. Talvez, quando eu me acostumar com ela, bem, então talvez eu pare de me sentir tão vazio e de ver seu rosto em cada pessoa que me dirige a palavra, ouvir sua voz quando vou dormir, e talvez eu pare de sonhar com você.
Espero que estas saudades passem de um jeito ou de outro.
Eu te amo, Suzannah. Espero que você já saiba isso.

Com amor,
Nicholas.



Querido Nicholas,

São duas da manhã e eu estou há duas horas com a caneta na mão, titubeando sobre quais as palavras certas para me expressar. Meus olhos estão ardidos, e as lembranças daquela pequena cidade não param de rolar pela minha mente. Posso ouvir os grossos pingos de chuva caindo na minha janela e o vento arranhando o vidro, fazendo-me lembrar de nossa última noite juntos, no parque, dentro daquele velho carro.
Nicholas, você pode não ser o meu amor desta vida, mas tenho plena certeza de que é o amor de toda a minha existência. A distância que nos separa e a dor que nos aflige é apenas um aviso de que a vida não é simples.
As saudades estão nos acompanhando por que o amor não é no branco e preto, o amor é como um arco-íris em constante transformação, e devemos nos adaptar com as suas novas faces. Acredito que um dia conseguiremos olhar para ele e apreciá-lo como se deve, juntos ou não, quem sabe? E então, quando o faremos, a saudade irá nos tocar por uma última vez e irá embora.
Eu te amo, Nicholas, ou muito mais do que isso. É uma incógnita para mim.

Com amor,
Da alma que irá te esperar para sempre,
Suzannah.



Querida Suze,

Estou dopado.
Meus lábios secos murmuram teu nome, minhas mãos formigam em procura das tuas, meu cérebro processa as memórias que mais quero esquecer, e que ironicamente não consigo viver sem.
Preciso de você, Suzannah.
Preciso dos teus olhos, da sua risada, teus lábios, preciso da sua confiança, da sua teimosia. Preciso da tua desconfiança e da sua certeza, da sua aura, preciso do seu apoio e das tuas palavras expressadas na voz mais linda que meus ouvidos já captaram.
Meu coração bate descompassado todas as noites quando me lembro de você e eu, lado a lado, naquela cidade.
Sábio foi o que disse: as piores memórias te deixam mal, porém são as boas que te levam a loucura.
Estou louco, Suze, louco de amor, louco de saudade.

Com todo o meu coração,
Nicholas.



Querido Nicholas,

Nicholas... Nicholas... Nicholas...
Poderia passar todas as horas do meu dia apenas repetindo, pensando e lendo este nome. Que água meus olhos, formiga meu corpo, esquenta meu coração e acaricia meus lábios.
És tudo que eu quero, tudo que eu preciso. Eu te culpo, Nicholas, todos os dias, por ser o que você é. Eu te amo inteiramente. Amo desde teus olhos até teus pés. Amo-te desde a sua teimosia até a sua compaixão.
Certas vezes me pergunto se você não fosse desse jeito, tão diferente e tão completamente igual a mim, eu não me apaixonaria por você, mas nós dois sabemos que se mudássemos não adiantaria em nada. Por que eu não amo o que você é, ou como você é, eu amo você. Amo sua essência, e essa nada nem ninguém serão capazes de mudar.
Estou certa de que, no futuro, irei encontrar a resposta para tantas perguntas que habitam minha mente neste momento. Entenderei o porquê de não estarmos juntos nem agora e, provavelmente, nem no futuro.
Sinto sua falta, meu amor. Mais do que as árvores sentem falta da chuva nesta seca.

Da sempre sua,
Suzannah.



Querida Suze,

Ontem de tarde notei que quem disse que apenas não tocamos do que tínhamos quando o perdemos estava completamente errado.
Eu já sabia o que tinha em minhas mãos.
Eu tinha você, o amor de toda a minha existência, a razão do meu sorriso, a receita da minha felicidade.
Longe de ti, o que mais posso fazer se não pensar em você? Todos os dias, o tempo todo, fecho meus olhos e liberto a minha mente, sendo tomado pela saudade e pela tristeza, pelo desejo e até mesmo pela felicidade.
Mas estou me cansando, cansando de acordar sentindo que irei abrir os olhos e todo esse tempo tinha sido em terrível pesadelo, e que a realidade é você ao meu lado, mas todos os dias eu me desaponto. Não estás, e nunca estarás ao meu lado. Não dessa vez.
Eu não sou capaz de apreciar o arco-íris com você desta vez, Suzannah. Estou cego pela dor, pelo desejo e pela saudade, e ainda não encontraram a cura para a cegueira.
Não será desta vez, meu amor. Não será agora que nossas almas descansarão em paz e juntas. Não há nada que eu possa fazer a respeito disso, não poderia simplesmente lhe procurar e tentar ficar ao teu lado. Nesta vida, o destino conspira contra nós.
Certa vez, me disseste que o destino é para os fracos, mas aqui está a revelação: eu sou um fraco. Submeti-me à dor, submeti-me ao destino.
Peço que me perdoe. Mas eu desisto.

Com toda a minha alma,
Nicholas.



Querido Nicholas,

É como uma chama que parece inofensiva no início, mas que se alastra e cresce rapidamente, queimando tudo que vê pela frente.
Estou queimando, meu amor. O tão lindo fogo do qual sempre apreciei, com suas cores embaralhadas uniformemente que sempre me encantaram, está agora me causando tamanha dor.
A chama não tem piedade, ela me queima e me transforma em cinzas, e a única coisa que eu sinto é dor. Dor de todos os lados, de todos os tipos.
Dor física, emocional, dor da felicidade que não virá, dor de saudades.
Preciso de ti, meu Nicholas, para transformar-me no que eu era.
Não desista, por mim, pelo nosso amor.
A vida foi feita com obstáculos dos quais não devemos pular, devemos enfrentá-los.
És um guerreiro, ó meu companheiro de guerra, e junto iremos quebrar este muro que nos separa.
Eu não sei viver sem você.

Com toda a minha esperança,
Suzannah.



Querida Suze,

Perdoe-me. Perdoe-me.
Como já lhe disse, sou fraco, não suporto a dor e as saudades, o formigamento de desejo, a rachadura em meu coração já fraco.
Sou um corpo vazio vagando pelo mundo, desnorteado.
Queria poder lhe explicar a magnitude de meu amor, mas palavras me escapam, e nada realmente tem nexo. É um paradoxo: delicioso e horrível, reconfortante e perigoso.
Não consigo respirar sem você, meu amor, minha existência.
Cheguei ao extremo, não aguento nem mais um único segundo longe de teus lábios, teus olhos e teu sorriso.
Até a próxima vida, a próxima chance.
Um último beijo, um último adeus.

Com todo o meu amor,
Nicholas.



Resultado do I Concurso de Textos: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=40255170&tid=5614313912980139088

Segundo Lugar: Memórias e Saudades - Ana E. Meyer


Parece fácil sentar e escrever sobre “saudades”, afinal, é uma coisa que todo mundo sente, mas não é nada simples escrever sobre isso. Junto com as palavras vêm as lembranças, e as lembranças podem machucar às vezes...

Eu sinto saudades de voltar a pé da escola na chuva, de atravessar os trilhos todos os dias, e da visão maravilhosa que as flores amarelas que cresceram em volta do trilho proporcionavam durante o pôr-do-sol. Saudades de ir dormir na casa das minhas amigas, e então ficar olhando para as luzes da cidade enquanto a pizza não chegava. Ou então de simplesmente sentar no banco perto do Clube Concórdia e ficar olhando o rio enquanto pensava na vida.

Eu também tenho saudades daquelas tardes em que minha única preocupação era se o pão de queijo estaria pronto a tempo de eu ver minha série favorita. Ir à sorveteria todos os dias, mesmo no inverno, nem que fosse só pra comer crepe. Ou então enfeitar a casa para o Natal durante a noite, e dormir durante o dia...

Muitas saudades, daquele tipo que dói, do dia 05/11/2010, quando finalmente conheci minha melhor amiga, abracei ela, e o dia em que nosso sonho começou a virar realidade. Horas paradas na porta do hotel, quase sem voz de tanto gritar e cantar... E no outro dia, aquele que parecia não chegar nunca, finalmente chegou, o tão esperado 06 de Novembro... O dia em que meus sonhos viraram realidade. Eu pude pela primeira vez ver meus ídolos de perto, à apenas alguns metros de mim. Descobri que eles realmente existem, não são só um fruto da minha imaginação. Assistir eles tocarem minhas músicas preferidas foi algo surreal. E o Nick sorrindo? Não consigo acreditar que pude ver ele sorrir... Aquele sorriso perfeito que me deixa sem chão.

E os amigos da escola? Eu sinto tanto a falta deles. É como se um pedaço meu tivesse me deixado quando a gente se formou. Sinto faltas das nossas piadas internas, de ter sempre alguém pra me ajudar e me explicar a matéria super difícil de matemática, de comprar muitos “geladinhos” pra comer enquanto jogava vôlei, e até de “gasear” aula de física para ir tomar café no posto...

Agora só me restam lembranças, que eu sei, vou carregar comigo pro resto da vida, pra no final, quando eu estiver contando algo pra alguém, sentir aquela saudadezinha boa.


Resultado do I Concurso de Textos: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=40255170&tid=5614313912980139088

Terceiro Lugar: Love Letters - Lais B.


Querido Nicholas,

mesmo sabendo que onde você está talvez essa carta não possa alcançar, continuo a escrever. E dessa vez gostaria de falar com você sobre saudade. Sabe, eu sinto muita saudade de você e do seu jeito descontraído. De como você me abraçava e me dizia que tudo ia ficar bem. Esse é o tipo de saudade que as pessoas consideram como o bom, né? Aquele que faz você ficar horas pensando alto e lembrando de momentos bonitos. Porque com você eu só tive momentos lindos.
Nick, às vezes eu me pergunto por que você teve que ir. Se tivesse me ouvido e ficado em casa e esperado para ir no próximo voo, talvez estivesse ao meu lado agora e eu não estivesse derramando lágrimas enquanto escrevo isso. As pessoas me dizem que devo seguir em frente e viver minha vida, mas eu sempre me pego pensando em você e, de repente, chorando. Esse deve ser o tipo ruim da saudade, que deixa você nostálgica e pensando como seria bom se pudesse ter alguém de volta.

Escrever cartas que você nunca lerá não é nada bom. Eu me sinto incompleta quando vou na caixa pegar as correspondências e não tem nenhuma sua. Agora minha mãe me faz deixar as cartas com ela pra que ela te envie. Eu sei que ela simplesmente as guarda, porque não se pode enviar uma carta pra “Céu, 402.” Às vezes acho que as pessoas riem de mim por viver essa vida, mas eu não me importo.

Ter tido você foi a melhor coisa que me aconteceu, Nick. E eu sei que tenho apenas 26 anos e uma vida inteira pela frente, e que sinto como se ainda tivesse 16, porque pra ser sincera eu ajo assim, mas acordar sem você ao meu lado não tem sentido. Minha mãe me diz pra seguir em frente e voltar a namorar, talvez casar de novo e ter uma família nova. Mas é tão esquisito me imaginar com outro cara, tendo filhos de outro cara. A vida que imaginei para mim era com você. Enquanto os anos passam e eu envelheço, apenas sinto como se isso fosse o certo a fazer. Certo, sem papo de velho, mas eu não sei se fico muito tempo por aqui.

Eu tenho medo de mudar. Tenho medo de seguir em frente. Tenho medo de desejar outro alguém. Eu só desejo você e é isso que eu quero pra minha vida inteira. Me pego procurando por você na multidão. Você levou meu coração contigo e eu tenho que aceitar isso. Onde quer que esteja, espero que possa ver alguma coisa de mim, talvez um reflexo. Já desisti de escalar montanhas para alcançar o céu, apesar de agir como uma adolescente, não sou iludida como uma. Sei que a avalanche me derrubaria e eu acabaria morrendo. É uma boa ideia quando estou tendo crises de abstinência de você.

Às vezes me pergunto como seria se tivéssemos um filho. Eu seria uma péssima mãe, egoísta e preocupada apenas com minha própria dor. Ficaria dia e noite chorando numa cama enquanto nosso filho crescia revoltado e mal amado. É aí que vejo como foi melhor termos ouvido mamãe, casado mais tarde do que desejávamos e mantido nossas promessas. Você teria sido um ótimo pai, Nicholas. Disso eu tenho certeza.

Obrigada por ter me dado amor. Obrigada por ter sido meu companheiro. Obrigada por ter me ensinado tudo aquilo. Obrigada por ter sido o homem maravilhoso que foi. Minha vida teria sido incompleta sem você. Eu ainda te amo muito, Nicholas, e guardo você em meu coração junto com a dor de ter te perdido. Quem sabe você está guardando um canto para mim aí onde você está, e quando eu morrer, poderemos ficar juntos de novo. Espero que esse dia chegue logo, porque só quero voltar pra você.

Eternamente sua,
Annie.


Guardo novamente a caixa das cartas de Annie. Lembro-me de que lê-las só me machuca mais. A dor de perder um pai, uma mãe, um irmão ou um cônjuge é horrível, mas nenhuma se compara a dor de perder um filho. Tenho vontade de escrever uma carta para minha menina, mas me lembro do que isso causou a ela. Levanto e vou dormir. A saudade de Annie me deixa acordada por algumas horas. Encaro o fogo crepitando na lareira e noto que ele não está me esquentando. Quando pego no sono, estou esperando que quando acordar, possa estar ao seu lado.


Resultado do I Concurso de Textos: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=40255170&tid=5614313912980139088

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Un Memorabile Natale – Paula Salmazzo

Aproveitando o clima natalino, não há nada melhor do que uma história ambientada nas comemorações de fim de ano e é por isso que escolhi uma fanfiction temática para essa resenha em especial.
O título “Un Memorabile Natale” pode ser bem sugestivo para alguma leitora que esteja navegando no fórum da comunidade à procura de algo interessante para a leitura e este é bem forte justamente por causa desse poder auto-sugestivo.
As descrições sob medida conseguem ilustrar bem os vários níveis de decoração e a ambientação da época festiva que serve de palco para a história. Tudo isso unido a um empolgante relacionamento passado e que deveria ter sido superado por ambos os protagonistas, o que dá aquele toque de ‘amor e ódio’ irresistível.
Os acontecimentos não são instantâneos, há toda uma linha de desenvolvimento explicando e apresentando a personagem ao leitor, deixando a narração mais real e palpável apesar de ser uma história ficcional e, além disso, ela também pode ser lida com qualquer um, não trazendo restrições àquelas pessoas que não leem com os Jonas.
A história, escrita pela Paulinha, ainda está no 3º capítulo, mas os posts são regulares devido ao fato da fic já estar finalizada nos documentos dela e deixa no ar a impressão de que ainda muita coisa vai se desenrolar.

Delírio – Marcela Tersi

A fanfic Delírio destaca-se entre as demais pela constante presença do diálogo entre a personagem e o leitor presente nos cadernos de auto-análise da protagonista.
Apesar de se passar no colegial, o ambiente oscila entre vários locais, tirando a mesmice da narrativa e levando a história a outros campos, até então inexplorados. A narração é outra inovação na fanfic: ela oscila periodicamente entre a terceira e a primeira pessoa, nos dando chance de conhecer os mais profundos segredos da personagem principal quando ela escreve em seu caderno.
Delírio conta a história de uma garota que é obrigada pela mãe a ir ao psicólogo, devido ao seu comportamento hostil. Contrariada, a menina vai e descobre que a ajuda de um especialista pode lhe ser útil.
Após algumas sessões ela é capaz de encontrar a solução de seus problemas, porém nunca abandona o hábito de escrever em seu caderno. Tudo está bem até conhecer melhor os irmãos Jonas e querer ajudá-los, cada um por um motivo diferente.
Além de narrar o drama da adolescente misturando descontração e seriedade, a fic explora aspectos bastante profundos da personalidade humana, instigando o leitor a querer saber sempre mais dessa inusitada jornada pelos sentimentos humanos. Os acontecimentos narrados de forma calma e sem rodeios, tendem a tomar rumos surpreendentes nos capítulos que ainda estão por vir.
Se você procura algo a mais, essa é a fanfic certa para você.

 

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